Inspire mais e controle menos

Recentemente li um artigo chamado: ‘‘A Economia da Confiança’’, do fundador da Amana-Key, Oscar Motomura, em que ele traz a seguinte reflexão:

“Vocês têm ideia do ‘custo controle’ em nosso país? E em nossas próprias organizações?

Estamos tão habituados com os sistemas e controles ao nosso redor que nem sequer reparamos no imenso nonsense que a cultura da desconfiança provoca em nosso modo de vida, nas organizações e na própria sociedade. “

Ao terminar de ler comecei a pensar realmente sobre o quão assustador é o custo controle. Chegamos a ter cargos em que a função da pessoa é apenas controlar outra! Não faz nada de produtivo… ( Seria o retorno do cargo de capataz? ). Isso sem falar no custo ‘‘psicológico’’ de ter que prestar contas em relatórios, planilhas, e blábláblá a todo instante.

E o mal está tão impregnado que até mesmo em trabalhos voluntários, existem pessoas gastando uma enorme parte do seu tempo pensando em como punir e controlar. Poxa, se isto está sendo necessário existe algo muito mais errado na base da instituição…

Com frequência ouço reclamações de equipe desmotivada, apática, sem comprometimento… Será que não está faltando inspirar mais e controlar menos? Acredito que sim. Temos que fazer com que a missão e os valores de nossas instituições sejam incorporadas por todos que fazem parte dela. Descobrir e valorizar o que cada um tem de bom, receber ideias de todos os lados, dar liberdade para que as pessoas criem e não se sintam meros preenchedores de planilha, ou executores de uma estratégia, muitas vezes, elaborada por alguém que não tem acesso e que não conhece a realidade do seu trabalho.

Para aqueles que estão pensando: ‘‘Mas controlar é uma função básica do administrador! Aprendi isso na aula de ontem de Teoria Geral da Administração’’

Deixo uma última reflexão. Fayol, um dos teóricos clássicos da administração, autor do livro Administration industrielle et générale, onde definiu a função controle, morreu em 1925. Estamos no ano de 2013. E a escravidão foi abolida nos EUA e Brasil, respectivamente em 1863 e 1888 respectivamente. O que tudo isso tem a ver? A função controle foi definida em uma época mais próxima a escravidão do que dos dias atuais…

Será que já não é tempo de repensar esse modelo?

Nós da Catálise Social, acreditamos que somente pessoas que entendam o seu potencial como agentes de transformação, apaixonadas pelo que fazem e com liberdade para inovar podem dar o melhor de si. Que tal você que anda pensando em ‘‘mecanismos de controle’’, fazer um esforço para ver como andam os ”mecanismos de inspiração” da sua organização?

Ailton Arantes Cunha

Sou alguém que acredita que devemos sempre deixar o ambiente que estamos melhor que o encontramos, e que sonhar e colocar a mão na massa é a melhor maneira de ser fiel a si mesmo.