Receba ideias de todos os lados

‘‘Novas ideias são o sangue de qualquer organização. Hoje alguém, em algum lugar, tem uma excelente ideia. A questão é achar essa pessoa, aprender a ideia e colocá-la em prática rapidamente. ’’ Jack Welch

Um dos princípios básicos dos modelos de excelência é a melhoria contínua. Sua instituição deve querer sempre melhorar, e esse processo exige inovações constantes. Desde o refino de processos simples até inovações de ruptura.

Para criar um ambiente fértil para isso é necessário dar espaço para que todos se sintam confortáveis em arriscar palpites, e reconhecer os donos dos que forem implementados.

Uma história que gosto muito para ilustrar esse assunto e que pode ser conferida no livro Oportunidades Disfarçadas, e a de uma indústria que vivia uma situação preocupante. Seu principal produto vinha perdendo participação no mercado por conta do alto custo de fabricação. O presidente convocou então os principais executivos para uma reunião e falou: ‘‘Temos que baixar o custo, mas sem perder em qualidade. Que sugestões vocês me dão?’’

Os homens começaram a cogitar saídas, como substituir matérias primas caras por outars mais baratas, apertar os fornecedores para extrair preços menores, diminuir a margem de lucro da companhia, ou até mesmo enxugar o quadro de funcionários. O patrão se irritou: ‘‘Chega! Pago vocês para pensarem. Essas alternativas são obvias. Quero ideias novas! E já!’’

A sala ficou em silêncio. Os executivos engoliram seco. O clima ficou tenso. Podia-se ouvir até uma mosca batendo asas. Até que uma voz fraca e titubeante rompeu o silêncio: ‘‘Com licença, chefe… O produto precisa ter embalagem?’’

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Todo mundo se virou para ver quem foi o autor daquela sugestão inusitada. E ficaram surpresos ao descobrir que havia sido o faxineiro – um homem magro, de uniforme azul e apoiado em sua vassoura, até então invisível na sala. Envergonhado por se transformar subitamente no centro das atenções, ele continuou, hesitante: ‘‘A empresa podia tirar a embalagem e o próprio produto ficar exposto. Assim, acho que ia economizar bastante, não?’’

Os executivos não acreditavam no que estavam ouvindo, que ousadia daquele homem da limpeza! Quem ele pensava que era, interrompendo uma importante reunião de diretoria? Além do mais a ideia soava ridícula. Claro que todo produto precisa de embalagem. Afinal, como diferenciá-lo dos concorrentes? Como identificá-lo no ponto de vendas? Onde colocar a marca do fabricante  e as especificações técnicas? Quando alguns diretores já estavam sorrindo de deboche, o presidente comentou: ‘‘Pode ser… Por que não?’’

O produto em questão era o pneu de automóvel, que até o iniciou do século XX, como qualquer outra mercadoria vinha dentro de uma embalagem de papel. Graças aquela sugestão inesperada de um faxineiro, os pneus passaram a ser expostos nas lojas sem embalagens, com a marca e as informações necessárias impressas na própria borracha. E é assim até hoje.

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Quando fiz parte do movimento empresa júnior, tínhamos a preocupação de desenvolver a ‘‘cultura de dono’’, onde todos deviam se sentir responsáveis pelos rumos da empresa, dar opiniões, questionar processos… Mesmo assim gostava de reforçar a importância dos trainees que eram as ‘‘mentes puras’’. Eram eles que questionando cada processo que lhes eram apresentados, podiam identificar falhas e propor melhorias, que eram invisíveis para quem já estava há mais tempo. É necessário que mesmo havendo hierarquia não se perca o sentimento de dono  a liberdade de propor e implementar novas ideias.

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