Grameen Bank

Em 1976 após constatar que as teorias que ensinava nas aulas da Universidade de Chittagong, envolvendo milhões de dólares, eram divergentes a realidade encontrada nas ruas Bangladesh, onde a maioria da população não tinha acesso sequer a comida, o economista Muhammad Yunus começou suas experiências com o  microcrédito, que daria origem em 1983 ao ,Grameen Bank ‘‘banco da aldeia’’ significado fundado em princípios de confiança e solidariedade.

grameen

Yunos percebeu que os mais pobres não conseguiam ter acesso a crédito para poder tentar mudar a sua sorte.

‘‘Eram pobres porque as estruturas financeiras de nosso país não tinham a disposição de ajudá-las a melhorar a sua sorte. Era um problema estrutural, e não um problema individual. ’’ Yunus

As desculpas dadas pelos bancos para não oferecer esse tipo de empréstimo eram muitas, como podemos observar neste dialogo de Yunos com um gerente, presente no livro o Banqueiro dos Pobres :

– Vejamos – balbuciou ele [ o gerente do banco] sem saber que objeção abordar em primeiro lugar. – Para começar, o pouco do dinheiro de que, segundo o senhor, eles precisam não cobre nem mesmo as despesas dos papeis que deverão preencher, e o banco não vai perder tempo com somas tão insignificantes.

– Insignificantes? Para os pobres elas são muito importantes.

– Essas pessoas são analfabetas; não podem nem mesmo preencher os nossos formulários.

– Num país onde 75% das pessoas não sabem ler nem escrever, a obrigação de preencher formulários é ridícula.

Além dos clichês sobre os pobres, como:

1. Os pobres não sabem economizar; tem o hábito de consumir tudo o que lhes chega às mãos, porque suas necessidades de consumo são permanentes.

2. Os pobres não sabem trabalhar em equipe.

3. As mulheres pobres não tem nenhuma competência, portanto é inútil conceber programas destinados a elas.

4. O crédito é uma forma astuciosa de levar os pobres a se unirem contra os ricos a fim de derrubar a ordem estabelecida.

5. O crédito para os pobres é contraproducente; lançará o fardo pesado dos empréstimos sobre os seus frágeis ombros, e eles não poderão pagá-los; assim, empobrecerão ainda mais ao tentar (ou a serem forçados a) pagar seus empréstimos.

Já que não poderia contar com o apoio dos bancos tradicionais Yunus criou o seu próprio modelo, com o Grameen:

  • Maioria dos empréstimos para as mulheres;
  • Exigência que o dinheiro fosse empregado para alavancar um pequeno negócio;
  • Empréstimos por um ano;
  • Prestações semanais de um montante fixo;
  • O pagamento começa a ser feito uma semana depois do recebimento do dinheiro;
  • A cada semana pagam-se 2% da soma emprestada, durante 50 semanas;
  • Empréstimos são feitos em grupos;

‘‘Nós observamos como funcionavam os outros bancos e fizemos o contrário. ’’

Em 25 anos os empréstimos concedidos pelo Grameen, ajudaram 10% da população de Bangladesh a sair da linha da miséria. Hoje o banco financia mais de 8 milhões de pessoas. Já ganhou vários prêmios. Inclusive o Prêmio Nobel da Paz de 2006 concedido a Yunus.

Deixe uma resposta